Nada é permanente, exceto a mudança…

Salve meu queridos amigos, Teurge na área.

Vamos trazer a segunda parte da nossa série sobre a arte de narrar, na primeira, tivemos uma noção de que é necessário entendermos os quatro pontos essenciais de uma estrutura narrativa, para que possamos fazê-la de modo mais etéreo possível, também falamos da primeira estrutura, que é a Introdução, e nela, aprendemos a apresentar tanto o cenário quanto os protagonistas.

A segunda estrutura narrativa é a Mudança, ela é a parte da narrativa que apresenta o elemento diferenciador, responsável por mudar a circunstância inicial dos fatos.

Na minha humilde opinião, a mudança é a parte da narrativa em que o Mestre/Narrador tem mais liberdade e tempo para imergir os jogadores na sessão ao qual estão jogando, pois nela, podemos colocar desde “a menina que entra na taberna pedindo socorro aos aventureiros para resgatarem seu pai que foi sequestrado por uma guilda de ladrões” até a descoberta de uma nova cidade, onde os personagens terão a oportunidade de conhecer os NPCs, de obter informações, podem comprar itens e até mesmo serem presos devido a uma briga que arranjaram com o taberneiro da cidade.

Eu, como Mestre/Narrador aproveito bastante essa parte para fazer com que os jogadores se sintam realmente inseridos no lugar, gosto de descrever os locais com bastantes detalhes, sobre a movimentação das pessoas na rua, sobre os principais pontos da cidade, NPCs marcantes dentro da história e o gancho que irá levar os personagens ao Antagonista da história, aproveite bastante essa parte não só para imergir os jogadores na história, mas também, para exercitar sua capacidade imaginativa, aprimorar a forma como fala, gesticula, saber colocar a tensão correta para ganhar a atenção dos jogadores, com o tempo você vai adquirindo mais e mais experiência e vai perceber que essa parte é extremamente divertida e única.

Mas deve se atentar a algo de bastante relevância nessa estrutura da narrativa, os jogadores também precisam participar de forma significativa dessa parte, e por mais incrível que pareça, até mais do que você! Isso mesmo, quanto mais eles falam dentro do jogo, mais imersivos estão, pois ele já se sentem parte do mundo que você criou, então deixe-os falar com as pessoas, pedir a bebida, negociar com o vendedor de armas, perderem até as roupas de baixo em apostas clandestinas se necessário, essa parte também é divertida para eles, e pode ter certeza de que isso trará lembranças memoráveis por muitos anos nas rodas de conversas de vocês. Até hoje quando encontro amigos de minha adolescência, lembramos dos momentos hilários em que jogávamos Tormenta (no sistema Daemon, oh saudades) e as confusões em que nos metíamos, e na maioria das vezes o Mestre nem criava o problema, nós mesmos íamos à procura de um.

Chegando as vias de fato pessoal, aprendemos que a estrutura Mudança, é a ponte entre a Introdução e o Clímax, percebemos também que a liberdade e o tempo são nossas principais aliadas nessa parte do jogo, que quando os jogadores se sentem mais a vontade nessa parte, eles criam personagens únicos e que serão lembrados por anos e anos.

Pessoal, encerro por aqui  e espero mesmo que tenham curtido ler o tanto quanto eu curti em escrever para vocês, na próxima parte, iremos trazer o tão esperado Clímax, a terceira estrutura narrativa, até a próxima, boas rolagens a todos!

 

“Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre.”

Charles Chaplin

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